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Crítica: Homem-Aranha: De Volta ao Lar

  • 7 de jul. de 2017
  • 3 min de leitura

Novo filme da Sony em parceria com a Marvel Studios acerta em focar, sobretudo, na humanidade de seu protagonista.

Um gênio milionário que defende a terra em sua armadura de ferro de alta tecnologia. Um supersoldado, herói de guerra e representante de uma nação inteira. Um Deus nórdico. Um homem que pode se transformar em um monstro verde, gigante e indestrutível. Personalidades tão poderosas e imponentes que muitas das vezes esquecemos o que realmente são (em sua maioria): humanos. O que a Marvel Studios vem fazendo é apresentar tais personagens ao público com o intuito de mostrar os super-heróis em todo o seu esplendor. Bem, Homem-Aranha: De Volta ao Lar não segue por esse mesmo caminho.


Peter Parker (Tom Holland) é o típico estudante do ensino médio, que precisa se preocupar, ao mesmo tempo, com a vida em casa, as notas, a vida social (principalmente no que diz respeito às garotas), enfim, a não ser pelo fato de possuir a habilidade de escalar paredes, Peter é um jovem comum, assim como eu, assim como você é, ou um dia já foi. O público tem a oportunidade de se ver representado no novo filme do Aranha, e esse é o grande trunfo da adaptação. Jon Watts finalmente inseriu Peter Parker no ambiente escolar pelo qual tanto ansiavam os fãs do Cabeça de Teia, criando um tom que define todo o filme, baseando-se no humor, e fazendo com que o longa seja um dos mais diferentes apresentados pelo MCU até hoje.


Por ser de conhecimento geral, a história de origem do herói não é abordada com força durante o filme, sendo resolvida com uma rápida menção à uma aranha radioativa, em uma cena que também viria a ser envolvida por uma excelente piada. Uma outra característica que merece atenção na nova história do Aranha é o fato de que Peter sabe de seus poderes, mas tenta entender quais são as suas verdadeiras responsabilidades. Durante a trama, o garoto é colocado de frente com muitas escolhas a serem feitas: passar a noite com a garota de seus sonhos ou enfrentar um vilão qualquer? Chegar em casa para jantar com sua Tia ou impedir ladrões de saquearem um Banco? Quando ser Peter Parker e quando ser Homem-Aranha? Tais dilemas são essenciais para a construção de um herói que está tentando, a todo momento, mostrar o seu verdadeiro valor


O Vilão do filme é o Abutre, interpretado por Michael Keaton. Assim como o Homem-Aranha, o Abutre também tem seu lado humano apresentado durante o filme, tendo suas motivações para o crime se mostrado razoáveis e convincentes e no final das contas, o vilão não se mostra descartável, o que é um distanciamento interessante do longa em relação à fórmula Marvel dos cinemas. No terceiro ato, o embate entre o Abutre e o Aranha se mostra muito contido, sem o envolvimento de ameaças de escala global ou de exageros desnecessários, o que faz lembrar muito de alguma HQ clássica do Aranha ou de algum episódio da série animada de 1994. Porém, as construções das cenas de luta do filme não oferecem nada novo ao espectador. O uso excessivo de computação gráfica de qualidade questionável pode-se tornar incomodo durante o desenrolar do filme.


Outro ponto negativo se dá por parte de algumas adaptações feitas em relação aos quadrinhos, como por exemplo a introdução da personagem Michelle, vivida por Zendaya, e também a reformulação de Tia May, vivida por Marisa Tomei. Adaptações, por vezes, são sim necessárias, e as novas personalidades de certos personagens funcionam dentro do novo filme do Aranha. Porém, a fidelidade com os quadrinhos é algo sempre muito desejado em filmes desse gênero, e ao reformular drasticamente figuras tão icônicas como Mary Jane Watson e Tia May, os fãs das HQs do herói podem se mostrar desapontados por não identificarem suas personagens queridas nas telonas do jeito que as imaginavam.


O filme também não se torna refém de todo o resto do MCU. Temos sim referências e a presença Marvel no filme, como por exemplo o Homem de Ferro, que se torna o “responsável” pelo Homem-Aranha. Entretanto, Robert Downey Jr. não rouba a cena de forma alguma, sendo não mais do que um coadjuvante. O filme permite que o Homem-Aranha conte a sua própria história.


Tom Holland conseguiu capturar toda a essência e o carisma do Homem-Aranha, e representar de maneira brilhante um autêntico Peter Parker. O melhor de Homem-Aranha: De Volta ao Lar é saber que agora esse herói tão querido por todos está em casa. Vimos que ele, até o momento, não passa de um mero iniciante na carreira de super-herói. Tanto o filme como o seu protagonista cometem erros, é fato. Mas saber que poderemos acompanhar sua jornada e seu amadurecimento nos cinemas daqui para a frente é uma sensação bem reconfortante e animadora.


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